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Esse é mais um artigo da série: “Falácias que aprendi na igreja”, e hoje vamos desmistificar o uso do termo Levita frequentemente atribuido a músicos e cantores cristãos.  Segue abaixo uma compilação de textos que tratam do tema, tendo como a base um artigo do Pr. Natanael Rinaldi do CACP

Muitas vezes, os ministros de louvor e músicos evangélicos são chamados de “levitas”. No Novo Testamento não temos referência a ministros de louvor nem a instrumentistas na igreja. Jesus disse que o Pai procura adoradores (João 4:24). O ensino apostólico, por sua vez, incentiva todos os cristãos a prestarem culto ao Senhor, com salmos, hinos e cânticos espirituais (Ef 5:18-20; Col 3:16).

De onde então vem o conceito de “levita”? Tomamos por empréstimo de Israel e do Velho Testamento. Originalmente, “levita” significa “descendente de Levi”, que era um dos 12 filhos de Jacó.

Os levitas começaram a se destacar entre as 12 tribos de Israel por ocasião do episódio do bezerro de ouro. Quando Moisés desceu do monte e viu o povo entregue à idolatria, encheu-se de ira e cobrou um posicionamento dos israelitas. Naquele momento, os descendentes de Levi se manifestaram para servirem somente ao Senhor (Êx 32:26). Daí em diante, os levitas se tornaram ministros de Deus. Dentre eles, alguns eram sacerdotes (família de Aarão) e os outros, seus auxiliares. Embora os sacerdotes fossem levitas, tornou-se habitual separar os dois grupos.

Então, muitas das vezes em que se fala sobre os levitas no Velho Testamento, a referência se aplica aos ajudantes dos sacerdotes. Seu serviço era cuidar do tabernáculo e de seus utensílios, inclusive carregando tudo isso durante a viagem pelo deserto (Números capítulos 3, 4, 8, 18). Naquele tempo, os levitas não eram responsáveis pela música no tabernáculo. Muito tempo depois, Davi inseriu a música como parte integrante do culto. Afinal, ele era músico e compositor desde a sua juventude (I Sm 16:23). Então, atribuiu a alguns levitas a responsabilidade musical. Em I Crônicas (9:14-33; 23:1-32; 25:1-7), vemos diversas atribuições dos levitas. Havia então entre eles porteiros, guardas, padeiros e também cantores e instrumentistas (II Crônicas 5:13; 34:12).

Se fôssemos fazer justiça à analogia, não apenas os cantores, mas todas as pessoas que servem a Deus na igreja, do faxineiro ao pastor, da recepcionista ao tesoureiro, do técnico de som ao regente do coral…todas elas deveriam ser “levitas”. Não, digo mais: todos os verdadeiros filhos de Deus são levitas, porque todos nós somos sacerdotes de Cristo, e não apenas o pastor (1 Pe 2:5-9). (Helder Nozima) [Adição do editor do blog]

Um derradeiro argumento é que a Nova Aliança, da qual fazemos parte, tornou o sacerdócio levítico caduco. O autor de Hebreus vai mais além e diz que o sacerdócio da ordem de Arão foi revogado. Diante da superioridade de Jesus Cristo como sacerdote que é eterno (Hb 7.22-24), mediador de uma Aliança superior (Hb 8.6), ele conclui que o sistema anterior era fraco e não podia aperfeiçoar (7.18,19). (Josaías Jr.) [Adição do editor do blog]

Concluímos portanto que o título levita é concernente à Antiga Aliança e não é correto identificarmos os músicos e cantores cristãos como que fazendo parte de um corpo ministerial estranho à Nova Aliança. É resultado do movimento judaízante dos nossos dias.

“Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco.” (Gl 4.9-11)