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A Bíblia nos apresenta a genealogia de Jesus em duas perspectivas. Mateus apresenta Jesus como descendente de Abraão e Lucas retrocede sua linhagem até Adão. Mateus apresenta Jesus como o Rei dos judeus e Lucas como o Homem perfeito. Marcos e João não tratam da genealogia de Jesus Cristo, por causa do propósito para o qual escreveram. Marcos, escrevendo para os romanos, apresenta Jesus como servo e destaca suas obras mais do que suas palavras. João, escrevendo um evangelho universal, tem como escopo apresentar Jesus como o Filho de Deus e como tal, ele não tem genealogia. (Rev. Hernandes Dias Lopes)

Os escritos do antigo historiador Flávio Josefo (que viveu na época de Jesus), aponta o uso de árvores genealógicas como parte da cultura judaica no tempo de Jesus Cristo. Então, isso era uma prática muito comum, ou seja, cada qual sabendo exatamente a sua genealogia e sua posição na nação.

Em Romanos 11:1, Paulo diz algo sobre isso: “Porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum; porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim”.
Você vê que Paulo conhecia seu próprio “pedigree”. Para o povo judeu era muito importante. E é por isso que você vê que há pelo menos 50 genealogias no Velho Testamento. Havia razões para isso.
Não só a linha real, a linha sacerdotal, mas em termos de transferência de propriedade, e assim por diante.

Notas:
As genealogias eram utilizadas para provar a identidade, pertencimento as tribos de Israel (Esdras 2:59-62)

A genealogia de Lucas caminha para trás, indo de Jesus até Adão. Mateus caminha para frente, de Abraão a José. Lucas começa com Jesus, e Mateus termina com Jesus. É como se o Espírito de Deus estivesse dizendo: “de qualquer modo que vocês traçarem isto, vai dar em Cristo.”

Nestas listas Judaicas de linhagem, “filho” muitas vezes é utilizado também no sentido de “neto” ou mesmo “descendente”. Na verdade, em Lucas 3:24-38 a palavra “filho” não ocorre até mesmo no grego [esta palavra é omitida na versão ACF também — N.T.]. Ele simplesmente diz Heli era de “Matã, e Matã de Levi”, e assim por diante.
Lucas diz que José era filho de Eli. Na verdade, Maria é que era a filha de Eli, José foi mencionado por seu casamento com Maria, e assim, ele é citado em Lucas 3:23 como representante da geração de Maria. Moisés fez este tipo de substituição em Números 27:1-11 e 36:1-12

Explicações para as divergências entre as genealogias de Jesus em Mateus 1.1-17 e Lucas 3:23-38:

1) Lucas fornece a genealogia de Maria, e Mateus a de José como pai legítimo (mas não de sangue) de Jesus. Apesar de não ser pai de sangue, o fato de José assumir Jesus como filho lhe concede todos os direitos legais. Assim, a linha real é passada por meio do pai legal de Jesus e sua descendência física estabelecida pela linhagem de Maria.

2) O entendimento é que, a partir de Davi até Jesus, Mateus “fornece os descendentes legítimos de Davi” — os homens que seriam legalmente os herdeiros do trono de Davi, se o trono tivesse continuado. Enquanto Lucas, descreve a descendência de sangue, e prova o parentesco de Jesus à Davi também por Maria.
Mateus está mostrando a descendência legal de Jesus como o Rei de Israel. Lucas está mostrando a descendência linear.
Em outras palavras, Mateus mostra-nos a linha real, enquanto Lucas nos mostra a linha de sangue.
Como Jesus não tinha pai humano, a fim de ter a linha de sangue para reinar, Ele tinha que ser um descendente de Davi através de sua mãe também.

Vamos ver de outra maneira. Mateus segue a linha real através de Davi e Salomão, filho de Davi. Mas, Davi tinha outros filhos. Um destes era Natã. E a linha de Maria, descrita por Lucas, veio através de Natã. Então, através de Natã veio Maria e, por meio de Salomão, veio José. Ambos da semente de Davi. Por Ambos passava o sangue real.
Então, Jesus é a verdadeira semente de Davi através de Maria. E Ele é o herdeiro legal de Davi, através de José.

Veja o versículo 16 de Mateus cap. 1. “E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo” ACF.
Isso não é interessante? Ele não diz que José era o pai de Jesus. Ele era o marido de Maria. A Bíblia nunca chama José de o pai de Jesus.
Mas, legalmente, Jesus era filho de José, porque se alguém fosse adotado em uma família, seria um filho legal com todos os direitos e privilégios. Legalmente, Jesus era filho de José e de Maria por linhagem e por sangue. E assim, de todas as maneiras possíveis, Jesus Cristo tinha o direito de governar. O pai foi quem Lhe concedeu a linhagem real. A mãe foi quem deu o sangue real a Jesus.

O dilema de Jeconias na genealogia de Mateus:
Lembre-se: de quem é essa linha em Mateus? De José.
Veja Jeremias 22:30, que diz: “Assim diz o Senhor: Escrevei que este homem está privado de filhos, homem que não prosperará nos seus dias; porque nenhum da sua geração prosperará, para se assentar no trono de Davi, e reinar ainda em Judá.” Nenhum dos descendentes de Jeconias se assentaria no trono de Davi. Essa foi a maldição sobre Jeconias.

Preste atenção. Se Jesus tivesse sido um verdadeiro filho de José, nunca poderia ter se sentado no trono de Davi. Ele estaria sob a maldição. Mas, Ele tinha que ser o filho legal de José para ter o direito ao trono. Então, Deus traçou um plano pelo qual Jesus seria o herdeiro legal do trono, mas não estaria na linha de Davi descendendo de Jeconias.
E, assim, Deus o fez pelo nascimento virginal, ignorando a verdadeira linhagem do sangue de Jeconias, mas ainda carregando o direito real de reinar e descender do sangue real, pelo lado de Maria.

É algo fantástico, não é? Como Deus guardou cada detalhe! E o nascimento virginal resolveu tudo. Assim, o motivo da genealogia é apresentar o fato de que Jesus é o Rei prometido no Antigo Testamento, “o filho de Davi” que reinará eternamente!

John MacArthur (Adaptação da pregação “The Gracious King”, realizada em 15/01/1978)