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O teólogo luterano, Gottfried Brakemeier, afirma que o “Dia da Reforma” é um dia comemorativo e programático. “Comemorativo, porque há uma história que precisa ser lembrada, e que apesar, de todos os seus descaminhos, possui aspectos instrutivos e não deixa de ser motivo de gratidão. Programático, porque deve estar na agenda da igreja como uma lembrança de uma urgência atual, que nos conclama à ação”.

A Reforma foi um movimento de retorno à sã doutrina, que propôs expurgar da igreja os falsos ensinos e as práticas contrárias à Palavra de Deus. Embora tenha tido raízes e implicações políticas, econômicas e sociais, a Reforma foi essencialmente um movimento religioso. Na Idade Média, o culto às relíquias, e outros elementos como suposto meio de graça, cresceu e tomou proporções incríveis. “Era possível comprar cera dos ouvidos e leite da Virgem Maria, estrume do burro do estábulo de Belém, os de cabelo e da barba do Salvador” (Martin Dreher).

Curioso notar a similaridade com o que acontece hoje. O paganismo floresce no Brasil e o sincretismo religioso tem afetado a igreja evangélica brasileira. Os discípulos de Tetzel, o vendedor de indulgência do Papa Leão X, se multiplicam sonegando a graça de Deus e fazendo comércio da fé. A Reforma fundamentou-se em cinco pilares, base da genuína fé evangélica, vitais para a saúde espiritual da igreja.

1. SOMENTE AS ESCRITURAS – Os reformadores reafirmaram a supremacia das Escrituras sobre a tradição. A Bíblia é a única regra de fé e prática. Nenhum dogma ou experiência pode ser aceito se não tiver base na Palavra de Deus. Não obstante a isso, a Bíblia tem sofrido um duplo atentado. Existem aqueles que tentam adicionar supostas novas revelações e desviam a igreja da verdade. Outros, ludibriados pelo liberalismo teológico. O princípio Sola Scriptura é uma declaração que afirma, categoricamente, a inspiração, autoridade, inerrância e suficiência das Sagradas Escrituras.

2. SOMENTE CRISTO – A Reforma questionou a autoridade do papa sobre a Igreja e ousadamente declarou que nenhum homem pode substituir Jesus, o Deus-Homem. A doutrina apostólica proclama a supremacia de Cristo como o nosso suficiente Salvador, único Mediador e soberano Rei. A cruz de Cristo é o coração do evangelho. Somos justificados diante de Deus pelos méritos de Jesus Cristo. Ele pagou a nossa dívida e nos deu a sua justiça. A natureza, o caráter, o ofício e a obra salvadora de Jesus são centrais para a fé cristã. Cristo é tudo.

3. SOMENTE A GRAÇA – Os reformadores reafirmaram a doutrina bíblica da salvação pela graça. Somos merecedores de juízo e condenação, mas Deus, que é rico em misericórdia, susta o castigo que merecíamos e nos dá, graciosamente, a salvação. Somos justificados pela graça mediante a fé. Diferente do conceito romano, a graça não é um pó mágico que nos ajuda a viver melhor para ser aceitos por Deus. A graça é o amor incondicional aos que não merecem nada. Cristo morreu a nossa morte para vivermos a sua vida.

4. SOMENTE A FÉ – Os reformadores proclamavam a supremacia da fé sobre as obras para a salvação. A salvação não é uma sinergia, como se houvesse alguma contribuição da parte do homem. A fé salvadora nunca é apresentada como algo inerente ao ser humano. A verdadeira fé é dom de Deus e não tem caráter meritório. A fé é o instrumento pelo qual recebemos o dom da salvação. A fé é mão vazia que erguemos para receber de graça o presente de Deus que Jesus Cristo conquistou na cruz.

5. SOMENTE A DEUS A GLÓRIA – Os reformadores reafirmaram ao ensino da Bíblia de que Deus não reparte sua glória com ninguém. Os teólogos reformados, reunidos em Cambridge, alertaram: “Todas as vezes em que a autoridade bíblica é perdida na igreja, Cristo é despojado do seu lugar, o evangelho é distorcido, ou a fé é pervertida, a razão é uma só: nossos interesses substituíram os de Deus e estamos fazendo o trabalho à nossa maneira. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável”. A igreja contemporânea deve viver para glória de Deus e isso implica em reconhecer a soberania da graça de Deus e servi-lo em resposta ao seu grande amor.

No ano de celebração dos 500 anos da Reforma Protestante, a igreja evangélica deve retornar as veredas antigas (Jr 6.16). Martin Lloyd-Jones está certo ao dizer que “a maior lição que a Reforma Protestante tem a nos ensinar é justamente que o segredo do sucesso, na esfera da Igreja e das coisas do Espírito, é olhar para trás”. Seja Deus gracioso e abençoe o seu povo, com Reforma e Avivamento.

Ecclesia reformata semper reformanda!

Pr. Judiclay Santos

 


P.S.: Aproveito para deixar um ótimo resumo dos Cinco Solas feito por Vinicius Musselman Pimentel do VoltemosAoEvangelho.com

“É preciso entender os 5 Solas em seu devido contexto: Salvação.

A Salvação é conforme expressa nas ESCRITURAS SOMENTE (e não Escritura mais tradição), através da obra e mérito de CRISTO SOMENTE (e não o mérito de Cristo mais o nosso ou dos santos), pela GRAÇA SOMENTE (e não graça mais colaboração humana), através da FÉ SOMENTE (e não fé mais obras) e para a GLÓRIA DE DEUS SOMENTE (e não Glória a Deus e ao ser humano ou igreja).”